Quais as opções políticas diante da fragmentação?
*Alexis Pedrão
O primeiro de Maio se aproxima. Para os mais novos na militância talvez não se conheça a profundidade desta data tão importante no movimento histórico da classe trabalhadora na busca de sua auto-libertação. Para os mais antigos, a organização e os objetivos a serem atingidos com o primeiro de maio são obviamente opções políticas conscientes, afinal, depois de tantos anos realizando atividades envolvidas neste “grande” dia sabem exatamente do que se trata. Assim, diante do cenário que se avizinha, precisamos resgatar o sentido desta data para não que não caiamos em naturalizações alheias à crítica.
O primeiro de maio foi escolhido como uma data simbólica para representar as lutas da classe trabalhadora por direitos em todo mundo, com referência histórica na cidade de Chicago em 1886 na luta por melhores condições de trabalho e pela redução da jornada de trabalho para oito horas, momento onde houve uma brutal repressão. No Brasil desde o seu processo de industrialização, no início com fortes influências anarquistas, foram deflagradas importantes mobilizações, piquetes e greves. A burguesia nunca viu com bons olhos essas movimentações e a repressão aos trabalhadores também foi uma constante. Algumas iniciativas mais “espertas” também foram feitas ao longo da história, como os recorrentes anúncios de medidas em defesa do trabalhador no estádio de São Januário, feitos pelo presidente Vargas, tentando estabelecer um quadro de cooptação do movimento sindical. Mas os trabalhadores não se deixaram enganar. Resistiram!
Nos dias atuais vivemos uma forte reestruturação produtiva do mundo do trabalho. A precarização do trabalho é latente. Índices altíssimos de desemprego em todo o mundo, aumento sem precedentes da informalidade, que não garante proteções trabalhistas mínimas, terceirização e quarteirização como mecanismos de reduzir custos para os patrões e direitos para os trabalhadores são alguns dos exemplos. Se antes, em alguns países, conquistamos com muita luta direitos sociais que obrigavam o Estado a garanti-los, o quadro atual é de retirada e flexibilização de direitos. As sucessivas reformas da previdência nos mais diferentes países e os cortes nos orçamentos dos gastos sociais como moradia, educação e saúde, aliados a privatização destes setores estratégicos para o desenvolvimento de uma sociedade ilustram esse lamentável cenário.
Aqui no Brasil o que se esperava para “virarmos o lado da moeda” a nosso favor se transformou num grande engodo. A eleição de Lula em 2002 representaria no imaginário popular o freio do capital e o avanço da classe trabalhadora. Passados oito anos, não apenas deixamos de remar contra a maré, como se aprofundou no país a receita neoliberal iniciada por Collor e FHC. No início do governo Dilma, péssimas notícias. Congelamento dos salários do funcionalismo público por dez anos, privatização dos hospitais universitários na ordem do dia, corte de bilhões no orçamento dos direitos sociais, falta de condições dignas de trabalho em grandes obras do PAC, aprofundamento da política de segurança pública que tem exterminado trabalhadores, em sua maioria jovens, nas periferias e outras tantas mazelas. Precisamos continuar no enfrentamento.
Fica nítido qual o papel das centrais, sindicatos e movimentos populares nesse primeiro de maio. Organizar a resistência aos ataques e empreender uma oposição de esquerda, programática e conseqüente ao governo Dilma/Temer. Aqui em Sergipe também não seria diferente, pois temos um “mais do mesmo” da política nacional, com o PT encabeçando alianças espúrias com a burguesia (Deda/Ivan Leite/Valadares/Jackson/Amorim), criminalização dos lutadores, com ações diretas como tem sofrido os moto-taxistas e o movimento de moradia, ou de ações mais sofisticadas em conjunto com o judiciário como a “chuva” de greves que foram decretadas ilegais nos últimos anos, no descaso completo com a saúde, educação e com os profissionais destas e de tantas outras áreas. Nestas últimas, a privatização avança a passos largos, com as fundações privadas na saúde e o instituto Ayrton Senna na educação, através dos programas “Alfa e Beto” e “Se Liga e Acelera”. Isto é, aqui no contexto local cabe perfeitamente uma oposição de esquerda aos governos capitalistas.
Mas infelizmente não é isso que temos visto. As maiores centrais sindicais optaram por abandonar a história de resistência dos trabalhadores e operam uma política de conciliação – nefasta para os trabalhadores – que ao invés de denunciar a caótica situação e procurarmos em conjunto as soluções para a miséria de nosso povo trabalhador, anestesiam a classe com discursos vazios e práticas festivas, apertando o pé no freio diante das mobilizações. Assim, em São Paulo, onde existe a maior concentração de trabalhadores do Brasil, a CTB, UGT e Força Sindical sorteiam carros e casas e a CUT realiza showmícios com Martinho da Vila, Martinália e Ilê Ayê. Um exemplo que não queremos, nem devemos seguir. E como não falar em fragmentação? Enquanto deveríamos resistir, tem gente comemorando! Afinal, quem impulsiona a divisão de forças entre os trabalhadores?
Em Sergipe, a CTB, FETASE, MST, UJS, DCE da UFS e a UBM promovem: “O Dia Internacional do Trabalhador terá como programação a realização de atividades esportivas e, no decorrer do dia, apresentações culturais que proporcionarão lazer e diversão para a classe trabalhadora e toda sua família.” (fonte ASCOM/CTB). Uma covardia perante os olhos da classe trabalhadora. Nós, do PSOL, que estamos firmes na sustentação da bandeira do socialismo, preocupados com a tradição de luta do primeiro de maio e com as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e excluídos nos dias atuais temos uma outra opção política e, portanto, fazemos um outro convite. Um convite à ousadia! Estamos organizando em conjunto com as demais organizações de esquerda do nosso estado atividades para um primeiro de maio realmente comprometido com os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora. Um primeiro de maio de luta! Participe e vamos juntos contribuir com a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e com a tão necessária e almejada transformação social.
*Alexis Pedrão é merendeiro escolar e presidente do PSOL em Aracaju.
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